14 janeiro 2015

RELACIONAMENTO FAMILIAR




A família é um sistema vivo onde os componentes reagem e influenciam-se uns aos outros de forma recíproca. Há vínculos afetivos e psicológicos envolvidos numa relação familiar, e ao mesmo tempo espaços de privacidade, de autonomia e de individualidade que devem ser respeitados.
As pessoas de uma família desenvolvem o que chamamos de vínculo ou vínculo parental, que são os laços afetivos e emocionais que unem pessoas tão diferentes entre si. É justamente por serem diferentes que surgem os conflitos.
Os conflitos, muitas vezes inevitáveis não devem ser vistos de forma negativa pois quando bem trabalhados e resolvidos são uma boa oportunidade para crescer e fortalecer os laços, já que nós crescemos quando aprendemos a lidar com as diferenças do outro.
O primeiro passo para viver bem e manter um relacionamento familiar saudável é conhecer a si mesmo, suas limitações pessoais e características de personalidade e segundo compreender que o outro também tem suas limitações pessoais que devem ser consideradas.

DINÂMICA FAMILIAR


Os casais herdam de suas famílias de origem formas de se relacionar e de estar em família
Ex: formas de educar filhos, de reagir e de se relacionar com o cônjuge, formas de comunicação e até formas de reações emocionais. Esses padrões podem ser saudáveis ou nocivos para o funcionamento da família.
Outro aspecto incluído no relacionamento familiar são as regras de convivência, estas regras devem ser estabelecidas desde cedo, e inclui o respeito aos pais, a privacidade, o saber ouvir, formas de falar e discutir os problemas e de resolver os conflitos. Não se pode esquecer que estas lições são valiosas e acompanharão os filhos durante toda a vida, pois a família é um modelo vivo de convivência, comunicação e respeito com o próximo.
Cada etapa da formação familiar é um período específico que requer cuidados especiais: nascimento do filho, entrada no filho na escola e adolescência, saída dos filhos de casa, etapa da terceira idade e morte.
Já que a família é como um organismo vivo, temos que cuidar para que ela seja sempre saudável, mas ela também pode adoecer. Alguns sintomas podem surgir em um ou mais membros da família e são:

·         depressão,
·         transtornos de ajustamentos,
·         retração social,
·         queda no desempenho escolar,
·         conflitos de gerações e desentendimentos conjugais dentre outros,
·         busca por drogas,
·         abuso do álcool.

Uma família está saudável quando faz um planejamento familiar; se adapta aos ciclos familiares; cultiva o respeito da autonomia e da liberdade dos componentes; existe autoridade e regras; comunicação direta, clara e sincera e disponibilidade para mudanças.
Para uma educação adequada dos filhos os pais devem pensar juntos em um plano de educação para os filhos e ter um planejamento de comum acordo, onde pai e mãe (ou se os filhos moram com outras pessoas que não os pais) possam “falar a mesma linguagem”, ou seja, as regras devem ser respeitadas. Para isto, os pais devem:
·         Evitar discutir a educação dos filhos na frente deles,  
·         Construir um sistema de educação preventiva com diálogo aberto e justo desde a infância.
·         Produzir tempo de qualidade para estar com os filhos
·         Tomar cuidado com a palavra ‘sim’
·         Mostrar afetos positivos aos filhos. Filhos precisam ser amados em prática

APERFEIÇOANDO O RELACIONAMENTO CONJUGAL

Entre si, os cônjuges devem:
·         Ter certeza de seu amor antes de se unirem.
·         Pensar sobre sua família e conversar sobre ela.
·         Estar disposto a falar e a ouvir é imprescindível
·         Usar as discussões para crescimento e como comunicação e não para atacar ou como cobranças.
·         Não busque culpados, diga como se sente.
·         Ouça como o outro se sente.
·         Ouça com atenção e sem interromper, identifique a situação problema, pergunte sobre os sentimentos
·         Indague sobre possíveis soluções, comprometa-se com a mudança, proponha atitudes e mude.

Em alguns casos a psicoterapia é mais adequada, ao perceber a dificuldade em se comunicar, ou ao sentir-se angustiado ou com dificuldade em cuidar dos filhos procure ajuda de um profissional. Ele o ajudará a cuidar de sua família, identificando os problemas e buscando em conjunto a melhor solução para eles.

Flávia GRC
fevereiro 2011.

12 janeiro 2015

EU NÃO QUERO ENVELHECER.


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“Todos queremos ser especiais! Nisto somos todos iguais”, disse Carlos Drummond de Andrade. Esta afirmação aponta para uma carência essencial que a todos acompanha: gostaríamos de ser o filho especial, ser o profissional de destaque, ou até ser reconhecido pelo esforço de não sermos notados. Mas, de alguma forma gostaríamos de ser especiais….
Mesmo querendo ser especiais ou diferentes, todos temos ao menos um ponto em comum: ricos e pobres, cristãos, muçulmanos ou budistas, de sábios eruditos a idiotas iletrados, todos igualmente, morreremos… Salomão chega a ironizar esta situação, cruelmente dizendo que os seres humanos, que se julgam tão superiores, são, na verdade, iguais aos animais, pois, tanto este quanto aquele, morrem…
Caso o ciclo existencial transcorra sem grandes novidades, a morte será precedida de um estado pouco desejado: a velhice. A velhice é um problema para a humanidade! Poucos estão realmente preparados ou dispostos para o crepúsculo da vida. Muito já se sonhou com o “elixir da juventude”: medicamentos, alimentos, plantas, cirurgias, estilo de vida e outros elementos que possam retardar o fato a ser consumado: a velhice.
Gostei da resposta do mundialmente celebrado cirurgião Ivo Pitangui, quando perguntado como ele se sente sendo o responsável por deixar tantas pessoas mais jovens. Sua frase foi curta: “Eu não deixo ninguém mais jovem. Apenas deixo as pessoas velhas com aparência de mais novas – mas elas continuam velhas”. Pitangui tem a exata noção do seu trabalho: ele é um “maquiador”.

O nome Olacyr de Moraes certamente não será do conhecimento da maioria dos leitores deste artigo. Ele foi o Rei da Soja no Brasil dos anos 80 e tornou-se o “Primeiro Bilionário Brasileiro Mais Jovem”. Sua história de incansável trabalho e empreendedorismo é linda. Ao fim dos anos 80, com 50 e poucos anos e finalmente bilionário, resolveu “curtir a grana” e tornou-se um frequentador contumaz de festinhas badaladas e eventos sociais, sempre acompanhado de lindas jovens. Depois, do agronegócio, enveredou-se para a mineração e perdeu muito, muito dinheiro. Hoje ele é um velhinho de 83 anos, ainda rico, que não dispensa fotos com as ‘suas’ jovens, porém não pode mais curtir toda sua grana, já que a enfermidade não o deixa sair de casa, nem pras festinhas badaladas, e nem pros restaurantes, já que sua dieta é restritíssima.
Recortei do Facebook e colei  logo abaixo este artigo de Max Gehringer, que me fez lembrar Olacyr de Moraes:
Se por um lado significante parcela de pessoas gostariam de eliminar ou retardar os efeitos da velhice (rugas, óculos, barriga, careca… bengalas, cansaço, desânimo, cirurgias, remédios, fraldas geriátricas…) por outro, poucos querem abrir mão dos benefícios da velhice (sabedoria, conhecimento, erudição, experiências…). Carlos Drummond de Andrade disse: “Há duas épocas na vida em que a felicidade está numa caixa de bombons: infância e velhice”.  Alguém já disse que os velhos e as crianças se parecem muito. Eu creio. Ao menos ambos necessitam de mais atenção. Na juventude, pensamos em nós, em como extrair prazer da vida. Na maturidade, pensamos nos descendentes, em como proporcionar uma vida com mais chances de felicidade e sucesso para os filhos. Na velhice, voltamos a pensar em nós, em como torna-la menos pesada e onerosa e em como ainda extrair alguns prazeres da vida.
No capítulo 15 do Gênesis, o Criador fala o seguinte para Abraão: “Você terá uma velhice abençoada, morrerá em paz, será sepultado e encontrará seus antepassados no mundo dos mortos”. Incrível como Deus mira nos pontos certos:
1. Velhice abençoada: aponta para saúde, prosperidade, descendência encaminhada…
2. Morrerá em paz: aponta para morte sem dores, sem doenças, sem intrigas familiares, mas… Tranquilamente… Em paz!
3. Encontrará seus antepassados: aponta para o futuro, renovação das esperanças. O “fim” não é o fim, mas uma passagem, um recomeço. Reencontro!
Um ponto que me chama muito a atenção nos textos bíblicos do Pentateuco é como que muitas promessas divinas aos personagens estão focadas na descendência e na morte destes. Os grandes consolos de Deus estão em duas categorias:
  • DESCENDÊNCIA: Dizer que os descendentes serão abençoados, ou terão sucesso, ou serão numerosos.
  • VELHICE: Dizer que a velhice será com saúde e com paz; com direito a um sepultamento honroso e que haverá vida após a morte, onde se encontra os antepassados.
Deus consola o homem na promessa da continuidade existencial: rever quem já não mais existe e ter certeza que o que se construiu não se perderá.
De fato, o ser humano não está mesmo preparado para o fim abrupto. Se com a morte física tudo se extinguisse, a existência deixaria de fazer sentido, não apenas sentido metafísico, espiritual… Mas também sentido racional: pra que viver? Sem esperanças a vida fica dura demais!
A matéria prima da religião é a esperança. Esperança de futuro melhor, esperança que a morte é uma nova vida, esperança que vou rever quem amei no passado, esperança de paz… Com a esperança a existência tem mais sentido, menos peso e é mais feliz. Eu não suportaria viver sem esperanças.
A velhice é inexorável, por isso, quem quiser ser feliz, tem de desenvolver a habilidade de lidar com este estado de vida cada ano mais perto, queiramos ou não. Platão foi pessimista com relação ao envelhecimento e afirmou que “Deve-se temer a velhice, porque ela nunca vem só. Bengalas são prova de idade e não de prudência”. Já o Nobel Gabriel Garcia Marquez (autor de “Cem Anos de Solidão”) compartilhou uma experiência pessoal: “O segredo de uma velhice agradável consiste apenas na assinatura de um honroso pacto com a solidão”. Ambas as citações nos fazem pensar.
Talvez Deus esteja certo. Talvez o grande consolo dos velhos seja a esperança. A esperança de que somos especiais? A esperança que nossa descendência será bem sucedida e nosso nome não morrerá precocemente na história?
Esperança… Acho que maturidade boa é aquela cheia de esperança…
Talvez a esperança que as saudades de nossos avós e pais serão debeladas num encontro cheio de gargalhadas e abraços com os antepassados, e assim, eternamente contaremos e ouviremos estórias, ouviremos boas músicas e dançaremos de alma leve…
Luciano Maia
Outono’ 2014.

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